quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Pode me chamar de gay - Fabrício Carpinejar

"Pode me chamar de gay, não está me ofendendo. Pode me chamar de gay, é um elogio. Pode me chamar de gay, apesar de ser heterossexual, não me importo de ser confundido. Ser gay me favorece, me amplia, me liberta dos condicionamentos. Não é um julgamento, é uma referência. Pode me chamar de gay, não me sinto desaforado, não me sinto incomodado, não me sinto diminuído, não me sinto constrangido.

Pode me chamar de gay, está dizendo que sou inteligente. Está dizendo que converso com ênfase. Está dizendo que sou sensível.

Pode me chamar de gay. Está dizendo que me preocupo com os detalhes. Está dizendo que dou água para as samambaias. Está dizendo que me preocupo com a vaidade. Está dizendo que me preocupo com a verdade. Pode me chamar de gay. Está dizendo que guardo segredo. Está dizendo que me importo com as palavras que não foram ditas. Está dizendo que tenho senso de humor. Está dizendo que sou carente pelo futuro. Está dizendo que sei escolher as roupas.

Pode me chamar de gay. Está dizendo que cuido do corpo, afino as cordas dos traços. Está dizendo que falo sobre sexo sem vergonha. Está dizendo que danço levantando os braços.

Pode me chamar de gay. Está dizendo que choro sem o consolo dos lenços. Está dizendo que meus pesadelos passaram na infância. Está dizendo que dobro toalha de mesa como se fosse um pijama de seda.

Pode me chamar de gay. Está dizendo que sou aberto e me livrei dos preconceitos. Está dizendo que posso andar de mãos dadas com os anéis. Está dizendo que assisto a um filme para me organizar no escuro.

Pode me chamar de gay. Está dizendo que reinventei minha sexualidade, reinventei meus princípios, reinventei meu rosto de noite.

Pode me chamar de gay. Está dizendo que não morri no ventre, na cor da íris, no castanho dos cílios.

Pode me chamar de gay. Está dizendo que sou o melhor amigo da mulher, que aceno ao máximo no aeroporto, que chamo o táxi com grito.

Pode me chamar de gay. Está dizendo que me importo com o sofrimento do outro, com a rejeição, com o medo do isolamento. Está dizendo que não tolero a omissão, a inveja, o rancor.

Pode me chamar de gay. Está dizendo que vou esperar sua primeira garfada antes de comer. Está dizendo que não palito os dentes. Está dizendo que desabafo os sentimentos diante de um copo de vinho.

Pode me chamar de gay. Está dizendo que sou generoso com as perdas, que não economizo elogios, que coleciono sapatos.

Pode me chamar de gay. Está dizendo que sou educado, que sou espontâneo, que estou vivo para não me reprimir na hora de escrever. Pode me chamar de gay. Que seja bem alto.


A fragilidade do vidro nasce da força e do ímpeto do fogo".

@carpinejar

domingo, 8 de agosto de 2010

Mulheres deveriam jogar futebol na infância!

As mulheres não têm senso de equipe por não terem jogado futebol na infância.

No jogo os meninos aprendem a trabalhar em equipe, a unir-se para que haja o cumprimento do objetivo, sabem que existem regras, mas não custa nada tentar burlá-las dando uma rasteira aqui, um chute ali... porém, caso o juiz veja, tudo bem, aceitam a punição por saberem a existência das tais regras. Não arrastam para fora do campo a raiva pela rasteira levada no momento do jogo. Sabem que em um time sempre vão existir os bons e os menos bons. Sabem delegar o posicionamento em campo de acordo com o perfil do jogador.

Os meninos precisam ter a noção do todo, prestar atenção, saber o que está acontecendo lá atrás para se programar no movimento que será executado quando eles estiverem com a bola nos pés. Precisam ser dinâmicos, pragmáticos, objetivos, com reflexo.
Não há tempo para conversa quando se está com a bola nos pés, a conversa só ocorre no intervalo.

As meninas brincam com bonecas, aprendem que devem casar, ter filhos e cuidar da casa. Seus brinquedos são vassouras, fogões, bonecas.

As mulheres não jogam em time, não aceitam que umas são melhores que as outras, elas precisam se mostrar matriarcas e comandar o ambiente. Não prestam atenção nas regras e não aceitam punição. Colocam sempre seus sentimentos a frente, acreditando que irão atingir seus objetivos desta maneira.

Enfim... precisavam jogar mais futebol...

sábado, 3 de abril de 2010

Significados.

Bom humor não é infantilidade, é o grau de disposição e de bem-estar psicológico e emocional de um indivíduo, a capacidade de rir e de tentar fazer os outros rirem até com pequenas coisas.

Sentimentalismo não é infantilidade, é o ênfase sentimental romântico, bem aguçado. Formas de expressão erronias, buscando o êxito.

Saudade não é infantilidade, é mistura dos sentimentos de perda, distância e amor. É a vontade/desejo/pensamento do que não se tem. Expressão do ‘querer bem’.

Vida social não é infantilidade, é querer se comunicar, fazer parte de grupos , assimilar novas culturas e conhecer novas pessoas.

Ciúmes, brigas desnecessárias, incompreensão... talvez sejam infantilidades, mas no geral são sempre inseguranças (90%), desconfortos, carências e pedidos de atenção estranhamente disfarçados.
As pessoas sempre querem que você mude para se adaptar a elas, mas oque elas vão oferecer para que esta mudança seja válida? Não existem grandes mudanças sem grandes argumentos.

domingo, 21 de março de 2010

A escolha

Cada guerreiro sabe o mundo em que quer guerriar. Talvez neste, talvez em outros.
Pena nossas escolhas acabarem tornando impossíveis certas vontades.
Pena aproximarmos algumas coisas e afastarmos outras.
Somos nós que acabamos tornando certas coisas possíveis, ou impossíveis.
Eu não acredito na culpa do outro, mas também não exagero ao pensar na minha culpa, como pregam as igrejas por aí.
Eu luto neste mundo, luto pelo hoje, pelo agora.
Sou eu quem faz acontecer. É por isto que estou aqui.
Não acho que estejamos limitados a este mundo, seria muita pretenção, mas é muita burrice também perder este momento só pensando em outro lugar, um lugar que pode existir, ou não.
Celebremos a única vida que temos certeza existir: esta!

quarta-feira, 17 de março de 2010

O amor pode até ser recíproco, mas o fim do amor não, nunca.



“Ninguém se separa, Rímini. As pessoas se abandonam. Essa é a verdade, a verdade verdadeira. O amor pode até ser recíproco, mas o fim do amor não, nunca. Os siameses se separam. Mas não se separam, tampouco: porque sozinhos não conseguem. Um terceiro precisa separá-los: um cirurgião, que corta pelo meio o órgão ou o mesmo ou a membrana que os une com um bisturi e derrama sangue e na maioria das vezes, diga-se de passagem, mata, mata um deles, pelo menos, e condena o outro, o sobrevivente, a uma espécie de luto eterno, porque a parte do corpo pela qual estava unido ao outro fica sensibilizada e dói, dói sempre, e se encarrega de lembrá-lo, sempre, de que não está nem nunca vai estar completo, que isso que lhe tiraram nunca mais poderá ter de novo.”

(Alan Pauls - O Passado)

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

O vento

Engulo o soluço, segurando todas as palavras e as lágrimas que não lhe interessam.
O sopro do vendo não torna o peso mais leve, a ardência mais refrescante.
É como se tua face fosse composta de espinhos, que doem, um a um ao serem lembrados.
E teu silêncio me machuca mais do que cada frase já dita.
Dias e noites passam sem expectativas. Simplesmente passam.
O tempo não volta, não acelera, não faz diferença aqui dentro.
Chega a ser estranho achar perfeição em teus detalhes tão imperfeitos,
e engraçado desfrutar das tuas falhas.
A única certeza, é a ausência.
E o único pecado, o sentimento.

O inimigo externo

A história de uma garota que resolveu subir até o alto de uma montanha para visitar sua avó. Chovia a cântaros, o vento frio soprava, e trovões pipocavam a cada segundo.
Quando já estava quase chegando ao seu destino, sentiu algo roçando seus pés. Ao olhar para baixo, viu que era uma cobra.
- Eu estou quase morrendo - disse a serpente. – Está muito frio não há comida nesta montanha, por favor, me proteja! Coloque-me debaixo do seu casaco, salve minha vida, e eu serei sua melhor amiga.
Apesar da tempestade, a menina parou e começou a refletir. Olhou a pele dourada e verde da serpente, e disse para si mesmo que jamais tinha visto algo tão belo. Pensou o quanto deixaria com inveja os seus amigos de classe, ao aparecer com uma cobra que a defenderia de tudo. Finalmente disse:
- Está bem. Eu vou salvá-la, porque todos os seres vivos merecem carinho.
A cobra ficou amiga da menina, serviu para assustar as pessoas agressivas no colégio, fez companhia nos dias solitários. Até que uma noite, quando ela estava fazendo suas lições de casa, sentiu uma dor aguda no pé direito. Ao olhar para baixo, viu que a cobra a havia mordido.
- Você é venenosa! – gritou. – Vou morrer logo!
A cobra não disse nada.
- Como você fez isso comigo? Eu salvei sua vida!
- Aquele dia, quando você se abaixou para me salvar, sabia que eu era uma cobra, não sabia?
E, lentamente, rastejou para fora.


Warrior of The Light - Paulo Coelho

Eu ainda não morri. Keep trying.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Ele.

"...Meus olhos acompanhavam suas feições pálidas:o quadrado do queixo, a curva suave dos lábios cheios - agora retorcidos num sorriso -, a linha reta do nariz, o ângulo agudo das maças do rosto, o mármore macio da testa - parcialmente oculta por uma mecha de cabelo bronze, escuro com a chuva...
Deixei os olhos pro final, sabendo que, quando olhasse dentro deles, talvez perdesse o fio do pensamento. Eles eram grandes, colorosos como de ouro líquido, e emoldurados por uma franja grossa de cílios escuros. Olhar seus olhos sempre fazia com que eu me sentisse extraordinária - como se meus ossos tivessem virado esponja. Eu também ficava um pouco tonta, mas isso devia ser porque eu me esquecia de respirar. De novo."

Eclipse - Stephenie Meyer - p.22

domingo, 31 de janeiro de 2010

Costumização / Refashion

Foi difícil encontrar algo legal para fazer na camiseta que iremos usar no Carnaval... São bem raros sites bons de costumização!

Mas adorei as roupas da Mari Santos:









É interessante trocar a alça das blusinhas por correntes de missangas, mas fica meio brega.
No flickr encontrei algumas boas idéias também pra fazer em blusinhas, cortar, colocar apliques, desenhar com caneta de tinta de tecido, etc.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Parte de mim


Parte de mim se foi,
A outra parte morreu aqui.
Parte de mim era sonho,
A outra parte eu não sei,
Talvez fosse sonho também
Ou devaneio, talvez.
Nada em mim estava sóbrio,
Tudo era irreal.
Parte de mim existia em si
Não precisava de mais nada para ser.
A outra parte vivia em ti
Ou em qualquer outro lugar
Onde habitasse a calma.
Parte de mim era azul,
Parte de mim era só flores,
Parte de mim partiu com os meus amores.
A outra parte ficou aqui.
Parte de mim ficou só parte,
Virou metade
À parte de mim.

por: Rafaelle Costa


@bettofavretto leu este poema e lembrou de mim.
Perfeito nessa minha semana emo.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Quantas pessoas fazem isso?


"Para um cão, você não precisa de carrões, de grandes casas ou roupas de marca. Símbolos de status não significam nada para ele. Um graveto já está ótimo. Um cachorro não se importa se você é rico ou pobre, inteligente ou idiota, esperto ou burro. Um cão não julga os outros por sua cor, credo ou classe, mas por quem são por dentro. Dê seu coração a ele, e ele lhe dará o dele. É realmente muito simples, mas, mesmo assim, nós humanos, tão mais sábios e sofisticados, sempre tivemos problemas para descobrir o que realmente importa ou não. De quantas pessoas você pode falar isso? Quantas pessoas fazem você se sentir raro, puro e especial? Quantas pessoas fazem você se sentir extraordinário?"

Frase da cena final do filme Marley & Eu.



Chorei muito quando minha cadelinha Bia morreu, já fazem uns 2 anos... ela ficou uns 15 na família. A foto tosca da Melzinha olhando pra nossa foto... toda vez que eu sinto aquele cheiro ruim de Melzinha eu penso "Fedida! Mas pelo menos ela está aqui!".

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Hino a Ísis (sec III ou IV A.D.)

Porque eu sou a primeira e a última

Eu sou a venerada e a desprezada

Eu sou a prostituta e a santa

Eu sou a esposa e a virgem

Eu sou a mãe e a filha

Eu sou os braços de minha mãe

Eu sou a estéril, e numerosos são meus filhos

Eu sou a bem-casada e a solteira

Eu sou a que dá a luz e a que jamais procriou

Eu sou a consolação das dores do parto

Eu sou a esposa e o esposo

E foi meu homem quem me criou

Eu sou a mãe do meu pai

Sou a irmã de meu marido

E ele é o meu filho rejeitado

Respeitem-me sempre

Porque eu sou a escandalosa e a magnífica.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Estática.

É como uma sindrome do pânico, mas não te impede de nada.
Logo ao sair de casa sente a terrível vontade de voltar correndo e se esconder embaixo da cama.
Talvez seja um certo medo de todos aqueles julgamentos: sua roupa, seu cabelo, engordou, emagreceu, está sozinho, discutiu com fulano, gosta de ciclano. Tudo aquilo que não interessa a ninguém, somente a você, e quando sai parece que precisa deixar estampado na cara, pra que todos possam te avaliar.
Também pode ser o medo das frustrações já vividas, medo de não terem sido o máximo que você já tolerou e que coisas piores possam vir. É o medo do desconhecido. É a falta de si.
A falta de vontade de tudo é eminente, a rotina e a ausência de expectativas destrói qualquer felicidade. Já que expectativa não é o resultado dos seus estudos ou do seu trabalho, os frutos colhidos são das sementes plantadas, não são surpresas.
Alguns atos que te deixam feliz momentaneamente não conseguem mudar toda uma realidade vivida, então você acaba parecendo um "mal agradecido" por não demonstrar gratidão. Mas você não pediu nada, e ninguém entende isso.
Todas as pessoas são cinza e todas as conversas são desinteressantes, mas todos precisam fingir que tudo é de extrema importância e que suas vidas fazem sentido pra alguém. Afinal, eles precisam de um motivo para levantar todas as manhãs.
Eu também.

sábado, 21 de novembro de 2009

Sensível ao toque

É como se cada pessoa que se aproxima te tirasse uma parte quando vai embora.
Parece que sempre vai machucar, ferir.
Talvez não seja a intenção, mas mesmo os bem intencionados te provocam mal.
A dor é inevitável.
Talvez tenha ficado sensível ao toque, talvez já tenha se machucado demais.
Talvez não acredite que exista ninguém que vá surpreender.
E quem sabe mesmo não exista.
Tudo aquilo que um dia acreditava ser perfeito, hoje não existe mais.
Não há como sustentar nenhuma teoria.
Estar resguardado é a única forma de não se ferir, porém não é estar imune.
O corpo sente falta, é inevitável, mas a cabeça mantém o lugar certo em que o coração não quer estar.

domingo, 15 de novembro de 2009

você



Eu tentei tirar você de tudo porque não consegui tirar você de mim.